ORIGEM CASACO DE PELES


OS CASACOS DE PELE SURGIRAM NA PRÉ-HISTÓRIA E ERAM A FORMA MAIS RUDIMENTAR DE VESTIMENTA. TUDO ERA UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA! ATUALMENTE JÁ LIDAMOS COM A PELE SINTÉTICA. QUER SABER MAIS? ESPIE O NOSSO POST...

De lá para cá, muita coisa mudou. Uma delas é que o casaco de pele passou a ser símbolo máximo de status por sua raridade, equiparando-se até aos diamantes. Tantas vezes usado pela realeza e pelas divas de Hollywood, eles passaram a encarnar uma aura de glamour sem precedentes no closet feminino até hoje (infelizmente).

IMPORTANTE: a noção de consciência ecológica tornou-se realidade no mundo moderno depois do desastre de Chernobyl, em 1986. Antes disso, até John Lennon, ativista-mor dos direitos humanos, usou.

Na década de 50 foi seu auge em produção, onde, em um mundo pós-guerra, este período foi retratado como "os anos dourados". A prosperidade capitalista contaminava a maioria dos países do mundo, as alianças comerciais entre os países do bloco dos EUA eram intensas, o governo norte-americano gastava bilhões de dólares para o desenvolvimento da ciência e tecnologias, principalmente na área de química. Modernizou-se o processo de fabricação do casaco, como por exemplo o uso do produto tóxico Metanol, onde muitas vezes era utilizado não somente para a melhor decomposição da pele, mas também pelo melhor custo benefício. Além de que inventaram uma espécie de "armário frigorífico" para que os casacos de pele não perdessem seu "brilho" ou ficarem com "cara de velhos".

A quede no uso de peles se iniciou na década de 60, conhecida como "anos rebeldes", e vem decaindo até os dias atuais. Foi neste período que muitas pessoas passaram a contestar sobre a política do governo (principalmente ao regime capitalista), as famosas ONGs, que dedicam quase todo seu tempo em busca de proteção ao meio ambiente e os alertas ao aquecimento global, aparecem, surgem então os movimentos ativistas em diversos países, a conscientização ambiental aumenta na população.

PELE SINTÉTICA

Graças nas novas tecnologias de fabricação, as peles sintéticas se tornaram tão suaves, acolhedoras e  luxuosas como as peles de animais verdadeiras, mas com a diferença de serem mais éticas por não causarem o sofrimento e morte de animais. 

 A pele tem sido usado há séculos por razões ligadas ao clima e moda, mas com a tecnologia moderna, agora se pode produzir peles sintéticas com o mesmo nível de realismo, suavidade, qualidade e calor como as verdadeiras, o que acaba com o argumento de que as peles sintéticas são inferiores.

Casaco de pele sintético - Maranata Moda

Um ponto a favor das peles artificiais é que, apesar do aspecto negativo dos polímeros acrílicos e modacrílicas, eles representam uma percentagem mínima do impacto ambiental total. O uso de acrílico significa apenas 10% da produção total de vestuário, de acordo com o relatório da Comissão Europeia, e as peles sintéticas uma percentagem ainda menor. Mas de certa forma, é mais viável desenvolver uma tecnologia de reciclagem desse material do que usar peles de animais.

ESTILISTAS A FAVOR DAS PELES SINTÉTICAS: "FUR FREE" (SEM PELE)

Inclusive, pela questão da imagem, quando o assunto são casacos sintéticos, cada vez mais designers se afastam da ideia de uma pele ‘real’ e criam cores, padronagens e texturas que escapam do tradicional e fazem questão de transmitir que a pele sintética é muito mais divertida.

A marca inglesa Shrimps é um desses casos. Com peças que chegam a custar mais de mil dólares, a ideia é criar casacos irreverentes e de ótima qualidade, daqueles para guardar a vida toda. A Unreal Fur também é destaque quando o assunto é brincar com texturas e cores.

A inglesa Stella McCartney é a estilista mais famosa no uso de materiais sustentáveis em suas coleções, utilizando somente couros e peles falsas que chamaram a atenção da mídia em sua coleção outono/inverno 2015, com casacos gigantescos e peludos feitos de pele sintética.

Etiqueta Stella McCartney para indicar que não utiliza pele de animal

A estilista vegetariana há muito tempo usa camurça e couro sintéticos em coleções que ela chama de “veganas”, mas por um longo tempo, ela se esquivou das peles artificiais.

Assim ela criou etiquetas “Fur Free Fur” que ficam do lado de fora das roupas para dizer às pessoas que não são peles verdadeiras. Em suas coleções, Stella acha que a pele não é relevante pois tem cara de antiquado. Stella McCartney leva a sustentabilidade a sério em suas coleções pois só utiliza algodão orgânico, madeira certificada, couro vegetal, tecidos reciclados e tecidos produzidos de forma ética.

Recentemente, a grife italiana Giorgio Armani concordou em parar de usar peles de animais em todos os seus produtos, após anos de pressão dos ativistas dos direitos dos animais. Armani, 81 anos, disse que as novas tecnologias “tornaram a utilização de práticas cruéis contra os animais desnecessárias.

O fato de Armani ter optado em utilizar somente peles falsas manda uma poderosa mensagem ao mercado e aos consumidores de que “matar animais para obter sua pele está fora de moda“, assim as marcas que usam peles verdadeiras vão se sentir pressionadas a mudar de posição. 

2017: NADA DE PELES

Está ficando cada vez mais complicado para indústria da pele. 

Depois do grupo HE Yoox Net-a-Porter Group, um dos maiores varejistas de moda de luxo, banir peles de animais de todos os seus e-commerces, chegou a vez da Vogue Paris dizer o quanto a pele na moda está ficando ultrapassada. A edição de agosto de 2017 da publicação é dedicada aos animais e conta com ninguém menos que a modelo mais bem paga da indústria, para estampar a capa e o editorial principal dedicado às peles sintéticas.

Cangurus, coelhos, raposas e outros animais tradicionalmente criados e mortos para produção de casacos e acessórios de peles. Um dos fotógrafos, ao revelar uma das fotos do recheio no Instagram, afirmou que “toda a edição é dedicada aos animais e nossa série no recheio e capa enfatiza que usar pele real nunca é uma opção! Todos os grandes designers agora fazem os mais lindos casacos de pele falsa para mantê-lo aquecido neste inverno!” Uma boa propaganda que pode ajudar a convencer alguns que ainda estão presos no passado. Por isso, a Maranata Moda, by Adilce Moreira, procura sempre estar coerente com a ética do mundo da moda e conscientizar suas clientes que seu estilo não será prejudicado com peças sintéticas, que por sinal, atualmente estão lindíssimas e cheias de glamour.

Fonte: Casaco de Pele Não, Revista Glamour, Stylo Urbano, ModeFica